Eu quero ver!

Lyncoln N Nicodemos » 29 outubro 2009 » em No Caminho »

Bartimeu

Então chegaram a Jericó. Quando Jesus e seus discípulos, juntamente com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. Quando ouviu que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Muitos o repreendiam para que ficasse quieto, mas ele gritava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Jesus parou e disse: Chamem-no. E chamaram o cego: Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando. Lançando sua capa para o lado, de um salto pôs-se em pé e dirigiu-se a Jesus. O que você quer que eu lhe faça?, perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: Mestre, eu quero ver! Vá, disse Jesus, a sua fé o curou. Imediatamente ele recuperou a visão e seguiu Jesus pelo caminho.” (Mc 10:46-52)

Esse é um dos textos que mais gosto nos Evangelhos. Gosto dele porque me identifico com Bartimeu. O texto bíblico não nos dá detalhes da vida pregressa dele. O texto apenas diz que aquele homem era cego, estava a beira do caminho e pedia esmolas. Não sabemos se tinha família ou se foi desamparado, se era sozinho ou se foi deixado sozinho por conta de sua condição, se amou ou se foi amado, não sabemos o que havia perdido na vida por não poder enxergar… Não sabemos o quanto ele deve ter se esforçado para manter-se vivo, nem podemos mensurar a vontade que ele tinha de que sua vida fosse diferente. Podemos apenas tentar nos colocar em seu lugar e imaginar como seria.

Duas coisas nessa passagem fazem com que eu me identifique com Bartimeu. O primeiro ponto que me identifica com ele é o seu grito de socorro, o seu pedido por misericórdia. Todas as vezes que leio esse texto fico pensando na cena. Uma grande multidão com o barulho de muitas vozes, as pessoas empurrando e se apertando para chegarem mais perto de Jesus, e no meio de tudo isso o grito de Bartimeu. Ele deve ter se perguntado o que era aquela agitação fora do comum e quando ouviu que era Jesus imediatamente clamou por socorro. Fico imaginando-o tateando, tentando chegar ao encontro de Cristo sem saber direito que direção andar. Fico vendo-o com todo esforço se aproximando do barulho, sendo empurrado, lutando para permanecer em pé. E então escuto “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim”.

Identifico-me com ele, porque um dia eu gritei por socorro. Eu não posso comparar a minha angústia a dele, eu não posso comparar a minha luta, o meu sofrimento ao dele, mas eu posso dizer que independente de nossas histórias serem diferentes, eu precisei de socorro, eu clamei por misericórdia. Sim, eu me identifico com Bartimeu porque ele não permitiu que os outros apagassem a sua vontade de ser ajudado, ele não permitiu que os outros calassem a sua voz! A sua vontade de ser socorrido por aquele que poderia ajudá-lo superou todas as limitações e as adversidades daquele momento. Enquanto os outros o repreendiam ele tinha Jesus como foco. Não se deixou calar, gritou ainda mais alto pois era sua grande oportunidade de ser ajudado por alguém que poderia mudar definitivamente a sua vida. Um dia eu também disse, tem misericórdia de mim!! Sim, isso foi o princípio de tudo o que aconteceu comigo até hoje. Depois que Ele me ouviu tudo mudou, assim como aconteceu com Bartimeu.

O segundo ponto com que me identifico com ele é com relação ao seu pedido a Jesus, “Mestre, eu quero ver!”. Não posso deixar de imaginar a excitação dele ao ser recebido por Jesus. Não consigo deixar de imaginar o seu coração batendo acelerado, sua pulsação aumentando depois de ouvir Jesus perguntá-lo o que queria. Fico imaginando a quantidade de coisas que podem ter passado por sua mente naquele momento. Apesar do seu pedido ter sido apenas para poder enxergar, certamente estava implícito o desejo de uma vida “normal”, sem tanto sofrimento, sem tanta luta, sem tanta solidão. Certamente o pedido estava cheio de expectativas, de sonhos e de novas possibilidades. Jesus deu a ele muito mais do que ele havia pedido ou sonhado um dia.

Identifico-me com Bartimeu, pois um dia andei em trevas e Ele me libertou. Um dia andei à beira do caminho e mendiguei por amor e atenção. Um dia senti solidão e rejeição e achei que teria que conviver a vida toda com minha deficiência. Mas foi então que percebi que Ele estava perto de mim, e que se eu clamasse Ele me ouviria. Um dia ousei dizer para Ele as minhas angústias, os meus medos, o meu desespero. Um dia eu disse Senhor eu quero ver,!! Admiro Bartimeu porque mesmo sendo cego ele tinha uma “visão” clara. Ele conseguiu ver quem era Jesus, ele conseguiu ver que Ele poderia mudar a sua sorte, o seu presente e, consequentemente, o seu futuro. Admiro Bartimeu porque quando ele passou a ver ele já enxergava o que muitos não viam ou demoraram a ver.

As pessoas olhavam para Jesus e O viam como um profeta, ou um homem que poderia ser a resposta para a libertação de Israel do domínio de Roma, ou viam Jesus como um “fazedor de milagres”, alguém para matar a sua fome ou curar suas enfermidades. Bartimeu foi mais além, ele conseguiu enxergar Jesus como a promessa de Deus, “Jesus, Filho de Davi”. Ele viu Jesus como o Messias prometido e o reconheceu como tal. Fico impressionado como às vezes custamos a perceber isso, a perceber quem de fato é Cristo e o que isso representa para nós. Fico impressionado com a cegueira de muitos que “olham” para Jesus da forma errada e nutrem dentro de si expectativas erradas a respeito dEle. Para muitos Jesus continua sendo o “fazedor de milagres, alguém que traz a “benção” material, aquele que substitui o “SUS”, um tipo de gênio da lâmpada mágica que tem que responder aos caprichos e desejos de um povo cego. Bartimeu me fez ver que a maneira como “enxergamos” Jesus definirá a nossa forma de caminhar com Ele!

Já escrevi num texto anterior um pouco do meu passado, de como eu e Cristo começamos a caminhar juntos. Quando clamei por socorro já O conhecia, mas a minha visão ainda era turva. Foi então que Bartimeu me ensinou o que eu deveria pedir. Eu queria enxergar plenamente! Foi a partir daí que minha relação com Ele mudou completamente e, consequentemente, a minha vida também. Lembro-me das palavras de Paulo aos Efésios orando por eles assim, “Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força.(Ef 1:18-19). Também me recordo de Jó que depois de toda a sua experiência com Deus pôde dizer no final, “… Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.(Jó 42:5).

Espero que essa passagem bíblica tenha falado ao seu coração e, assim como eu aprendi com ela, você também possa aprender. Agradeço a Deus pela vida de Bartimeu que ajudou-me a perceber a minha cegueira. Louvado seja Deus que nos faz enxergar a Sua graça, a Sua misericórdia e a Sua vontade em Cristo Jesus. Que Deus te abençoe!

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Lyncoln Napoleão Nicodemos. Pastor, 29 anos, casado com Gabi, formado em Teologia e servo de Cristo.
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6 Comentários em "Eu quero ver!"

  1. Lyncoln
    A Pimenta do Reino
    30/10/2009 at 12:51 pm Permalink

    Bom texto.
    Parabéns!

  2. Lyncoln
    Lyncoln N Nicodemos
    30/10/2009 at 12:56 pm Permalink

    Obrigado pela visita, que Deus te abençoe!

  3. Lyncoln
    Lamartine
    23/11/2009 at 2:00 am Permalink

    Querido Pastor, na tradução da minha Bíblia relata que Bartimeu já havia tido anteriormente a visão. Parabéns pelo Blog!!!!!

  4. Lyncoln
    Lyncoln N Nicodemos
    23/11/2009 at 2:34 am Permalink

    Eu sei, naquele momento tive um lapso de esquecimento. Obrigado por comentar! Deus te abençoe!

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  1. uberVU - social comments 30/10/2009 at 12:13 am

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